Especialidades

Psicopatologia
Campbell (1986) define a psicopatologia como o ramo da ciência que trata da natureza essencial da doença ou transtorno mental – suas causas, as mudanças estruturais e funcionais associadas a ela e suas formas de manifestação. Entretanto, nem todo estudo psicopatológico segue a rigor os ditames de uma “ciência dura”, “ciência sensu strictu”. A psicopatologia, em acepção mais ampla, pode ser definida como o conjunto de conhecimentos referentes ao adoecimento mental do ser humano. E um conhecimento que se esforça por ser sistemático, elucidativo e desmistificante. Como conhecimento que visa ser cientifico, a psicopatologia não inclui critérios de valor, nem aceita dogmas ou verdades a priori. Ao se estudar e praticar a psicopatologia, não se julga moralmente aquilo que se estuda; busca-se apenas observar, idenficar e compreender os diversos elementos do transtorno mental. Além disso, em psicopatologia, deve-se rejeitar qualquer tipo de dogma, qualquer verdade pronta e intocável, seja ela religiosa, seja ela filosófica, psicológica ou biológica; o conhecimento que se busca está permanentemente sujeito a revisões, críticas e reformulações. Ou seja, a psicopatologia como ciência dos transtornos mentais requer um debate científico e público constante de todos os seus postulados, noções e verdades encontradas.
Referências: CAMPBELL, 1986 apud DALGALARRONDO, 2018. DALGALARRONDO, Paulo. Psicopatologia e semiologia dos transtornos mentais. Artmed Editora, 2018.

Prática Baseada em Evidência
Segundo Gabbard (2006), a prática da Psicologia Baseada em Evidências pressupõe a integração da avaliação criteriosa dos resultados das pesquisas de alta qualidade metodológica às características individuais dos pacientes, bem como a suas preferências, exigindo do profissional de saúde mental a escolha da alternativa terapêutica mais da. Decisões clínicas baseadas em evidências têm como prerrogativa o uso consciente, distinto e criterioso das melhores evidências sobre o cuidado individual do paciente. Dentro dessa perspectiva, busca-se a integração entre a habilidade clínica individual e a melhor evidência científica criteriosa disponível nas pesquisas sistemáticas de literatura. Trata-se da psicoterapia baseada em evidências objetivas, “o esforço em identificar, testar, desenvolver e estimular a disseminação de técnicas validadas em pesquisas científicas” (Pheula, Isolan & Rassier, 2007, pg. 81).
Referências: Gabbard, O. G. (2006). Psiquiatria Psicodinâmica na Prática Clínica. Porto Alegre, RS: Artmed. Pheula, Gabriel Ferreira & Isolan, Luciano Rassier. (2007). Psicoterapia baseada em evidências em crianças e adolescentes. Archives of Clinical Psychiatry (São Paulo), 34(2), 74-83.

Terapia Cognitivo Comportamental
A TCC é definida por Wright, Basco e Thase (2009) como uma abordagem que se baseia em dois princípios centrais: 1) as cognições possuem influência controladora sobre as emoções e os comportamentos e 2) o modo de comportar-se de um indivíduo pode afetar seus padrões de pensamento e suas emoções. O objetivo dessa abordagem psicoterápica está centrado na modificação de pensamentos, significados, em uma mudança emocional e duradoura, bem como na autonomia do paciente e no alívio e remissão dos sintomas que ele apresenta (Beck, 1993). Em suma, o foco dessa abordagem é a identificação e correção de padrões de pensamento conscientes ou não conscientes (Knapp, 2009) O modelo cognitivo parte da teoria de que pensamentos disfuncionais e não realistas influenciam diretamente o humor e o comportamento do indivíduo, ou seja, a forma como uma situação é compreendida e avaliada influencia a intensidade dos sentimentos (Lotufo Neto & Baltieri, 2001). Para a interpretação do fenômeno psicológico, o trabalho tem seu foco nos fatores cognitivos, ou seja, os significados atribuídos pelos indivíduos a acontecimentos e demais aspectos da sua vida estão, para essa abordagem, inter-relacionados aos comportamentos: com essas interpretações, o indivíduo formula hipóteses sobre si mesmo, o mundo e seu futuro (Knapp, 2009). As emoções e os comportamentos não são gerados pelos eventos em si, mas sim pelo que se pensa sobre os eventos, ou seja, emoções e comportamentos são influenciados pelo pensamento. Análises deficitárias sobre o que realmente está acontecendo geram sentimentos inadequados para que a pessoa lide com a situação (Lotufo Neto & Baltieri, 2001). A inter relação entre cognição, emoção e comportamento está envolvida no funcionamento humano, sobretudo nas psicopatologias (Knapp, 2009).
Referências: Wright, J. H., Basco, M. R., & Thase, M. E. (2009). Aprendendo a terapia cognitivo comportamental. Porto Alegre, RS: Artmed. Beck A.T. (1993). Cognitive Therapy: Past, Present and Future. Journal of Consulting and clinical Psychology, 61(2),194-198. Knapp, P. (2009). Terapia cognitivo-comportamental na prática psiquiátrica. Porto Alegre, RS: Artmed. Lotufo Neto, Francisco & Baltieri, Maria Angelita. (2001). Processos cognitivos e seu tratamento no transtorno obsessivo-compulsivo. Revista Brasileira de Psiquiatria, 23(Supl. 2), 46-48.

Terapia Comportamental Dialética
A Terapia Comportamental Dialética (DBT), uma terapia desenvolvida originalmente para indivíduos cronicamente suicidas, diagnosticados com transtorno da personalidade borderline. (Linehan, 2018). No entanto, essa modalidade terapêutica tem sido ampliada para englobar outros transtornos caracterizados por desregulação emocional (Lins, Ferreira, Souza, Ludwig, & Klaus, 2020). Uma meta-análise recente conduzida por Setkowski et al. (2023), têm destacado a Terapia Comportamental Dialética (DBT) como uma abordagem eficaz em diversas condições clínicas. Além de apresentar resultados relevantes no tratamento do transtorno de personalidade borderline, a DBT tem sido indicada como uma intervenção eficaz para o manejo do risco de suicídio, autolesão, transtornos de humor, transtornos alimentares e uso de substâncias. A DBT demonstra eficácia na diminuição da violência autodirigida e na redução da frequência de utilização de serviços de crise psiquiátrica (DeCou, Comtois, & Landes, 2019). A DBT pode também ser um tratamento eficaz para melhorar os sintomas de humor em pessoas com transtorno de humor bipolar (Jones et al., 2023).
Referências: Linehan, M. M. (2018). Treinamento de habilidades em DBT: manual de terapia comportamental dialética para o terapeuta. 2. ed. Porto Alegre: Artmed. Lins, M., Ferreira, G. D, Souza, L. S., Ludwig, M., & Klaus, R. (2020). Modelo de intervenção com a terapia comportamental dialética em famílias com desregulação emocional. In: Federação Brasileira de Terapias Cognitivas, C. B. Neufeld, E. M. O. Falcone & B. P. Rangé (Orgs.), PROCOGNITIVA Programa de Atualização em Terapia Cognitivo-Comportamental: Ciclo 7 (pp. 9–52). Porto Alegre: Artmed Panamericana. (Sistema de Educação Continuada a Distância, v. 2). Setkowski, K., Palantza, C., van Ballegooijen, W., Gilissen, R., Oud, M., Cristea, I. A., … & Cuijpers, P. (2023). Which psychotherapy is most effective and acceptable in the treatment of adults with a (sub) clinical borderline personality disorder? A systematic review and network meta-analysis. Psychological Medicine, 1-20. DeCou, C. R., Comtois, K. A., & Landes, S. J. (2019). Dialectical behavior therapy is effective for the treatment of suicidal behavior: A meta-analysis. Behavior therapy, 50(1), 60-72. Jones, B. D., Umer, M., Kittur, M. E., Finkelstein, O., Xue, S., Dimick, M. K., … & Husain, M. I. (2023). A systematic review on the effectiveness of dialectical behavior therapy for improving mood symptoms in bipolar disorders. International Journal of Bipolar Disorders, 11(1), 1-11.
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