Há pessoas que vivem as emoções de forma particularmente intensa. Uma crítica pode ser sentida como rejeição. Um conflito pode parecer o fim de uma relação. Uma tristeza pode tomar proporções tão grandes que dificulta levantar da cama, trabalhar ou simplesmente seguir a rotina. Não raramente, essas pessoas escutam que são “sensíveis demais”, “dramáticas” ou que precisam “aprender a se controlar”. Mas quem vive essa realidade sabe que não é tão simples assim.
A dificuldade para lidar com emoções intensas é uma fonte genuína de sofrimento. Ela pode afetar relacionamentos, estudos, trabalho e a forma como a pessoa se percebe. Em alguns casos, o desespero pode levar a comportamentos impulsivos, ao uso de substâncias, a explosões emocionais ou até mesmo a comportamentos autolesivos. Durante muito tempo, pessoas que viviam esse tipo de sofrimento encontraram pouca compreensão e poucas opções de tratamento realmente eficazes.
Foi justamente para responder a essa necessidade que surgiu a Terapia Comportamental Dialética, mais conhecida pela sigla DBT, do inglês Dialectical Behavior Therapy. Desenvolvida pela psicóloga americana Marsha Linehan na década de 1980, a DBT nasceu inicialmente para tratar pessoas com Transtorno de Personalidade Borderline, mas ao longo dos anos tornou-se uma das abordagens psicológicas mais estudadas e reconhecidas cientificamente para o tratamento da desregulação emocional.
O que torna a DBT diferente é que ela parte de uma ideia bastante humana: as pessoas estão fazendo o melhor que conseguem com os recursos que possuem neste momento, mas também precisam aprender novas formas de lidar com suas dificuldades. Em outras palavras, a terapia busca equilibrar aceitação e mudança. Essa é a essência da palavra “dialética” presente no nome da abordagem.
Na prática, isso significa reconhecer que duas verdades podem coexistir. Uma pessoa pode estar sofrendo profundamente e, ao mesmo tempo, ser capaz de construir uma vida significativa. Pode aceitar sua história sem deixar de trabalhar para transformá-la. Pode amar alguém e sentir raiva dessa mesma pessoa em determinados momentos. A vida raramente é composta por extremos absolutos, e a DBT ajuda a encontrar esse caminho do meio.
Ao contrário do que muitas pessoas imaginam, a terapia não se resume a conversar sobre os problemas. Um dos seus principais diferenciais é o ensino de habilidades práticas que podem ser utilizadas no cotidiano. A pessoa aprende estratégias para prestar mais atenção ao momento presente, lidar melhor com crises emocionais, compreender o funcionamento das próprias emoções e desenvolver relacionamentos mais saudáveis.
Essas habilidades são organizadas em quatro grandes áreas. A primeira é o mindfulness, ou atenção plena, que ensina a observar pensamentos, emoções e experiências sem reagir automaticamente a eles. A segunda é a tolerância ao mal-estar, um conjunto de estratégias para atravessar momentos difíceis sem agir impulsivamente ou piorar a situação. A terceira é a regulação emocional, que ajuda a compreender melhor as emoções e reduzir sua intensidade quando necessário. Por fim, a efetividade interpessoal ensina habilidades de comunicação, limites e resolução de conflitos.
Embora tenha sido criada para o tratamento do Transtorno de Personalidade Borderline, hoje sabemos que a DBT pode beneficiar muitas outras pessoas. Ela tem demonstrado resultados importantes em casos de trauma complexo, transtornos alimentares, dependência química, ansiedade, depressão, TDAH e dificuldades relacionadas à impulsividade e à regulação emocional. Também costuma ser uma abordagem especialmente acolhedora para pessoas altamente sensíveis, neurodivergentes e pessoas LGBTQIA+, justamente por reconhecer as particularidades da experiência de cada indivíduo. Eu costumo dizer que esse modelo de tratamento foi desenvolvido para pessoas que sofrem intensamente e o objetivo do tratamento é fazer com que essas pessoas tenham uma vida que vale a pena ser vivida.
A ciência tem sido bastante consistente ao avaliar os resultados da DBT. Diversos estudos mostram sua eficácia na redução de comportamentos autolesivos, tentativas de suicídio, impulsividade e sofrimento emocional intenso. Além disso, muitas pessoas relatam uma melhora significativa na qualidade dos relacionamentos, na autoestima e na capacidade de enfrentar desafios cotidianos e na redução de internações psiquiátricas
Talvez uma das contribuições mais importantes da DBT seja lembrar algo que frequentemente esquecemos: sentir emoções intensas não é um defeito de caráter. Não é sinal de fraqueza, falta de força de vontade ou incapacidade. Em muitos casos, trata-se de uma dificuldade que pode ser compreendida, tratada e transformada com o suporte adequado.
Se você chegou até aqui e se reconheceu em parte dessa descrição, saiba que existe ajuda disponível. Aprender a lidar com emoções intensas não significa deixar de sentir. Significa desenvolver recursos para que elas deixem de controlar a sua vida. E, para muitas pessoas, esse aprendizado representa a possibilidade de construir uma vida mais equilibrada, mais significativa e mais próxima daquilo que realmente importa.
Pensando que esse sofrimento é real, eu me especializei em DBT para realizar um atendimento que seja baseado em evidências científicas. realizo atendimento psicológico presencial na Tijuca, no Rio de Janeiro, e também na modalidade online, utilizando  a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) e a Terapia Comportamental Dialética (DBT). Também possuo treinamento intensivo em DBT-PTSD, protocolo voltado ao tratamento de trauma complexo. Se desejar conhecer melhor o processo terapêutico ou tirar dúvidas sobre o tratamento, ficarei feliz em conversar com você.

 

Referência: 

Linehan, M. (2016). Terapia cognitivo-comportamental para transtorno da personalidade borderline: tratamentos que funcionam: guia do terapeuta. Artmed Editora.

Terapia Comportamental Dialética: quando as emoções parecem maiores do que você.